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À conversa com Carlos Egídio Martins

À conversa com Carlos Egídio Martins

Carlos Egídio Rocha Martins · Treinador · CDC Priscos · 01/11/2026

1. Quem és? Apresenta-te e conta-nos um pouco do teu percurso.

Sou o Carlos Egídio Rocha Martins e o futsal faz parte da minha vida desde os 11 anos. Durante 24 anos tive o privilégio de viver a modalidade dentro das quatro linhas, como jogador, até que, em 2024, uma lesão me obrigou a interromper aquilo que sempre foi uma das minhas grandes paixões. Foi uma mudança difícil, mas que acabou por abrir uma nova porta: a de treinador. Estou agora no meu segundo ano nesta função, numa aprendizagem constante, com a mesma paixão e vontade de continuar a contribuir para o futsal.

2. Porquê o futsal? Como nasceu a tua ligação à modalidade?

O futsal entrou na minha vida muito cedo e acabou por nunca mais sair. Começou por ser uma paixão de miúdo, mas rapidamente se transformou numa parte importante da minha vida. Foram muitos anos de treinos, jogos, amizades, conquistas e também desilusões. É uma modalidade que me ensinou muito, não apenas enquanto jogador, mas também enquanto pessoa.

3. Porquê esta função? O que te levou a escolher o papel que desempenhas no futsal?

A verdade é que não foi propriamente uma escolha planeada. A lesão que sofri em 2024 obrigou-me a deixar de jogar, mas não me tirou a vontade de continuar ligado ao futsal. Ser treinador surgiu como uma oportunidade de continuar a viver a modalidade de outra perspetiva, partilhando aquilo que aprendi ao longo de tantos anos. Estou apenas no segundo ano, ainda tenho muito para aprender, mas encaro este desafio com enorme vontade, dedicação e paixão.

4. Como começou a tua ligação ao clube que representas?

A minha ligação ao CDC Priscos já vem de há alguns anos. Entre 2008 e 2015 tive o privilégio de representar o clube enquanto jogador, uma experiência que me deixou uma ligação especial às suas cores e à sua identidade.Depois de alguns anos afastado, a vida acabou por me trazer novamente ao clube, desta vez numa função diferente. Após a lesão que me obrigou a interromper a carreira de jogador, surgiu a oportunidade de regressar, agora como treinador.É, por isso, um regresso com um significado especial. Conheço o clube de dentro, já vivi o que é defender estas cores dentro das quatro linhas e hoje tenho o orgulho e a responsabilidade de continuar a fazê-lo, mas de uma perspetiva diferente.

5. Que lugar ocupa a tua terra na paixão pelo futsal?

A minha terra tem um significado muito especial. É onde estão as minhas raízes, as pessoas e as ligações que dão sentido a tudo isto. Representar o CDC Priscos é também representar uma comunidade, uma freguesia e um conjunto de pessoas que vivem o clube com orgulho. Para mim, vestir e defender estas cores é sempre uma responsabilidade e um motivo de orgulho.

6. Que história explica melhor a personalidade deste clube?

Acredito que a melhor história é a própria capacidade que o clube tem de continuar a lutar, mesmo quando as dificuldades aparecem. O CDC Priscos é feito de pessoas, de dedicação, de espírito de sacrifício e de uma enorme vontade de crescer. É um clube onde nem tudo se mede pelos resultados, mas também pelo trabalho que muitas vezes não se vê, pelas pessoas que dão o seu tempo e pela capacidade de todos remarem na mesma direção.

7. O que mudou na tua vida desde que chegaste a esta equipa?

Mudou sobretudo a forma como vivo o futsal. Durante 24 anos habituei-me a estar dentro de campo, a sentir o jogo como jogador. Hoje vivo tudo de outra maneira, com outras responsabilidades, outras preocupações e uma perspetiva diferente. Aprendi que estar no banco também é sentir o jogo, sofrer, vibrar e querer sempre mais. É um desafio constante, que me tem feito crescer não só como treinador, mas também como pessoa.

8. Que pessoa pouco visível merece reconhecimento no clube?

Acho que seria injusto destacar apenas uma pessoa, porque um clube é feito de muitas pessoas e todas têm a sua importância. Quero deixar uma palavra de reconhecimento a todos aqueles que, muitas vezes longe dos holofotes, dão o seu tempo, o seu trabalho e a sua dedicação para que o CDC Priscos continue a crescer.Uma palavra muito especial também para os nossos patrocinadores, cujo apoio é fundamental para mantermos os projetos e ambições do clube. Sem eles, muitos dos passos que damos seriam bastante mais difíceis.E, naturalmente, aos nossos sócios, que são a base e a razão de existir do clube. Mas também deixo um apelo: é importante que os sócios sejam mais presentes, participativos e interessados na vida do CDC Priscos. Um clube não se constrói apenas com o trabalho de quem está na direção. Constrói-se com o envolvimento de todos, com presença, apoio e sentido de pertença. Não basta ser sócio, é importante sentir e viver o clube. Porque o CDC Priscos precisa de todos.

9. O que distingue o ambiente dos pavilhões desta competição?

O que distingue esta competição é a paixão com que se vive o futsal. São pavilhões onde se sente a proximidade das pessoas, o apoio às equipas e a rivalidade saudável entre clubes. Há uma ligação muito própria entre jogadores, treinadores e adeptos, que torna cada jogo especial. É também isso que dá vida à modalidade e que nos faz querer continuar a fazer parte dela.

10. Que tradições do clube gostarias de preservar?

Gostava de preservar sobretudo o espírito de família, a proximidade entre as pessoas e a identidade do CDC Priscos. As iniciativas que juntam atletas, sócios, dirigentes e comunidade são fundamentais para manter vivo o sentimento de pertença ao clube. Os resultados desportivos são importantes, mas nunca podemos perder aquilo que nos distingue: as nossas raízes, a nossa união e a vontade de continuar a crescer sem esquecer de onde viemos.

11. Como vives a relação com os adeptos fora dos jogos?

Procuro manter uma relação próxima e de respeito com todos aqueles que acompanham e apoiam a equipa. O treinador não deve estar presente apenas nos dias de jogo. É importante conversar, ouvir opiniões e perceber que existe muita gente que vive o clube de forma apaixonada. Valorizo muito quem acompanha, apoia e acredita no nosso trabalho, mesmo nos momentos menos positivos.

12. Que contributo queres deixar à próxima geração do clube e sobretudo quais os teus planos para o futuro no clube e no futsal?

Gostava de deixar a minha contribuição na formação de atletas, não apenas enquanto jogadores, mas também enquanto pessoas. Quero transmitir os valores que o futsal me ensinou ao longo de 24 anos: respeito, compromisso, espírito de equipa, humildade e capacidade de superação.Quanto ao futuro, estou apenas no meu segundo ano como treinador e tenho plena consciência de que ainda tenho muito para aprender e evoluir. Quero continuar a crescer, ganhar experiência e ajudar o CDC Priscos a alcançar os seus objetivos. Acima de tudo, quero continuar ligado à modalidade que sempre fez parte da minha vida, agora com uma responsabilidade diferente, mas com a mesma paixão.

13. Se tivesses de convidar alguém a conhecer este projeto, o que lhe dirias?

Diria que viesse conhecer o CDC Priscos de perto, perceber o trabalho que existe diariamente e sentir aquilo que se procura construir. É um projeto com ambição, mas também com identidade, pessoas que trabalham e uma vontade enorme de crescer.Precisamos de pessoas que queiram fazer parte, que tragam ideias, que participem e que sintam o clube como seu. Porque um clube não cresce apenas com quem está dentro das quatro linhas, cresce com todos aqueles que acreditam nele e estão disponíveis para contribuir.